segunda-feira, 11 de novembro de 2013

De palavras não ditas por mim (mas que são minhas)

Paris — Toda vez que chego a Paris tenho um ritual particular. Depois de dormir algumas horas, dou uma espanada no rodenirterceiromundista e vou até Notre-Dame. Acendo vela, rezo, fico olhando a catedral imensa no coração do Ocidente. Sempre penso em Joana d’Arc, heroína dos meus remotos 12 anos; no caminho de Santiago de Compostela, do qual Notre-Dame é o ponto de partida — e em minha mãe, professora de História que, entre tantas coisas mais, me ensinou essa paixão pelo mundo e pelo tempo.

Sempre acontecem coisas quando vou a Notre-Dame. Certa vez, encontrei um conhecido de Porto Alegre que não via pelo menos á2o anos. Outra, chegando de uma temporada penosa numa Londres congelada e aterrorizada por bombas do IRA, na época da Guerra do Golfo, tropecei numa greve de fome de curdos no jardim em frente. Na mais bonita dessas vezes, eu estava tristíssimo. Há meses não havia sol, ninguém mandava notícias de lugar algum, o dinheiro estava no fim, pessoas que eu considerava amigas tinham sido cruéis e desonestas. Pior que tudo, rondava um sentimento de desorientação. Aquela liberdade e falta de laços tão totais que tornam-se horríveis, e você pode então ir tanto para Botucatu quanto para Java, Budapeste ou Maputo — nada interessa. Viajante sofre muito: é o preço que se paga por querer ver “como um danado”,feito Pessoa. Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio.

Enrolado num capotão da Segunda Guerra, naquela tarde em Notre-Dame rezei, acendi vela, pensei coisas do passado, da fantasia e memória, depois saí a caminhar. Parei numa vitrina cheia de obras do conde Saint-Germain, me perdi pelos bulevares da le dela Cité. Então sentei num banco do Quai de Bourbon, de costas para o Sena, acendi um cigarro e olhei para a casa em frente, no outro lado da rua. Na fachada estragada pelo tempo lia-se numa placa: “II y a toujours quelque choe d’abient qui me tourmente” (Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta) — frase de uma carta escrita por Camilie Claudel a Rodín, em 1886. Daquela casa, dizia aplaca, Camille saíra direto para o hospício, onde permaneceu até a morte. Perdida de amor, de talento e de loucura.

Fazia frio, garoava fino sobre o Sena, daquelas garoas tão finas que mal chegam a molhar um cigarro. Copiei a frase numa agenda. E seja lá o que possa significar “ficar bem” dentro desse desconforto inseparável da condição, naquele momento justo e breve — fiquei bem. Tomei um Calvados, entrei numa galeria para ver os desenhos de Egon Schiele enquanto a frase de Camille assentava aos poucos na cabeça. Que algo sempre nos falta — o que chamamos de Deus, o que chamamos de amor, saúde, dinheiro, esperança ou paz. Sentir sede, faz parte. E atormenta.

Como a vida é tecelã imprevisível, e ponto dado aqui vezenquando só vai ser arrematado lá na frente. Três anos depois fui parar em Saint-Nazaire, cidadezinha no estuário do rio Loire, fronteira sul da Bretanha. Lá, escrevi uma novela chamada Bem longe de Marienbad , homenagem mais à canção de Barbara que ao filme de Resnais. Uma tarde saí a caminhar procurando na mente uma epígrafe para o texto. Por “acaso”, fui dar na frente de um centro cultural chamado (oh!) Camille Claudel. Lembrei da agenda antiga, fui remexer papéis. E lá estava aquela frase que eu nem lembrava mais e era, sim, a epígrafe e síntese (quem sabe epitáfio, um dia) não só daquele texto, mas de todos os outros que escrevi até hoje. E do que não escrevi, mas vivi e vivo e viverei.

Pego o metrô, vou conferir. Continua lá, a placa na fachada da casa número 1 do Quai de Bourbon, no mesmo lugar. Quando um dia você vier a Paris, procure. E se não vier, para seu próprio bem guarde este recado: alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa, e em segredo.

O Estado de S. Paulo, 3/4/1994

Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 27 de março de 2013

De músicas que lembram...

"When our friends talk about you
All that it does is just tear me down
Cause my heart breaks a little
When I hear your name"

Bruno Mars - When I Was Your Man


terça-feira, 26 de março de 2013

De sumiços...

"Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro antes, durante e depois de te encontrar.

Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar.

Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico, sumi porque sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência, pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu lado, a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua desajeitada e irrefletida permanência."

Martha Medeiros

segunda-feira, 25 de março de 2013

"toda vez que eu tenho vontade de te procurar mas não procuro, penso se você faz o mesmo. Se você faz, tem feito muito melhor que eu."...

SOULSTRIPPER

@soulstripper

 

domingo, 25 de novembro de 2012

"Se existe alguém na linha
Se tem alguém no ar
Por favor, responda agora
Não me faça esperar
Há uma certa urgência
Alô, informação
Aqui sou eu sozinho
Do outro lado, não sei não sei
Instalei uma antena
E lancei um sinal
Nada no radar
Procuro no dial
Aviso aos navegantes
Tem mais alguém aí?
Só ouço o som da minha própria voz..."

Lulu Santos - SOS Solidão

sábado, 24 de novembro de 2012





"Nobody said it was easy

It's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard..."

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Da falta que faz...

É... Está difícil sobreviver a esse dia.

A falta que sinto de você está beirando o insuportável e passei o dia pensando em alternativas pra te ver, meios de falar com você, coisas a dizer...

Não há nada e nem ninguém que preencha esse vazio que está em mim.

Os dias estão passando e eu estou parada. Parada, relembrando todos os momentos em que atitudes diferentes poderiam ter levado a outro desfecho (?). Está doendo. Ficar sem você me doi de mais!

O dia é de dor. Deixa doer até sangrar. A dor é física e também psicológica.

E eu não vou encerrar esse post com alguma frase de incentivo e coragem como tenho feito todos os dias com as pessoas que me perguntam como foi, como eu estou...

Doi. 


quinta-feira, 15 de novembro de 2012



A Seta e o Alvo - Paulinho Moska

Eu falo de amor à vida,
Você de medo da morte.
Eu falo da força do acaso
E você de azar ou sorte.


Eu ando num labirinto
E você numa estrada em linha reta.
Te chamo pra festa,
Mas você só quer atingir sua meta.
Sua meta é a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Eu olho pro infinito
E você de óculos escuros.

Eu digo: "Te amo!"
E você só acredita quando eu juro.

Eu lanço minha alma no espaço,
Você pisa os pés na terra.
Eu experimento o futuro
E você só lamenta não ser o que era.

E o que era?
Era a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Eu grito por liberdade,
Você deixa a porta se fechar.
Eu quero saber a verdade
E você se preocupa em não se machucar.


Eu corro todos os riscos,
Você diz que não tem mais vontade.
Eu me ofereço inteiro
E você se satisfaz com metade.

É a meta de uma seta no alvo,
Mas o alvo, na certa não te espera!

Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada?

Sempre a meta de uma seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada

Repetindo a música... Mas é pq não tem como fugir de como ela parece com a gente.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Por que existe sempre em algum momento essa sensação de "second guessing", de incerteza, de dúvida, de que falta algo?

Será que está de fato faltando e se tenta a todo custo disfarçar?

Será que de fato a gente ainda se completa?

Será que ainda vale a pena?

Será que tudo que passou, de fato, passou e ficou pra trás?

Será diferente dessa vez?

...

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Eu e você... É uma loucura, eu sei disso... Mas é uma loucura tão boa que me faz querer sempre mais. Quando estamos juntos tudo parece tão certo que eu me recuso a achar que pode simplesmente não ser. Ou não ser mais...

Esse tempo "ocultos" por exemplo, como eu já falei, não pensei direito no que poderia acontecer. Na minha cabeça tudo se resolveria de uma forma fácil e rápida. A vontade de estarmos juntos e mostrar pra todo mundo seria maior que tudo, mas não foi bem assim... Não sei se você se acomodou, não sei se você considera que eu estarei sempre ali então não importa o tempo, ou qualquer outra coisa assim...

Existe uma voz na minha cabeça constantemente me dizendo que não, que eu não devo, que eu não posso querer, que eu tenho que me preservar. Eu insisto em ignora-la. E procuro desesperadamente em suas atitudes motivos para isso, mas está cada vez mais difícil... E talvez, eu devesse escuta-la pra variar um pouco.

Eu sou uma pessoa que estou bastante disponível. Estou aqui te mostrando o tempo todo, me entregando o tempo todo e de alguma forma esperando somente pelo seu sinal pra ser definitivamente sua. Mas ele não vem...

E daí vem a frustração, a tristeza...

Passou da hora de saber o que se quer, passou da hora de ficar se dando aos luxos de não ter certeza. A vida é como é. A gente foi como foi e pode tentar ser melhor e pode ser incrivelmente feliz ou falhar tentando. Já temos uma certa noção de como somos como pessoas, como casal, defeitos, qualidades, vontade de melhorar, dificuldades tentando alcançar as tais melhoras... Então qual a dúvida? E o Marcos que eu conheci sabe que a dúvida, a não-escolha também é uma resposta, também é um caminho.

Está sendo extremamente cansativo pra mim. Os finais-de-semana deliciosos e as semanas de crises e dúvidas e questionamentos. Não é suficiente pra mim. E eu não sou uma pessoa de me contentar com pouco.

Eu fico até receosa, se você decidir me pedir em namoro, devo ou não aceitar? Por que foi necessário tanto tempo pra você saber o que você quer, que me faz também questionar, será que eu devo querer? Será que houve tanta hesitação da sua parte quando foi para terminar?

Enfim...

Do coração... Sem ordem correta, ou correções...

domingo, 15 de julho de 2012

De egoísmos e dúvidas...

"Certas coisas me deixam triste. E louca. Como pode a gente gostar de uma pessoa, ver que ela está chateada e ficar de braços cruzados? Como pode você perceber que o outro está te tratando diferente e ficar indiferente? Como pode a gente só olhar para o próprio umbigo e para as necessidades pessoais? Como pode a gente só pedir apoio, calma, paciência e compreensão e não dar nada em troca? Como pode a gente não se dar por inteiro, mas esperar que a outra pessoa esteja inteira? Hoje em dia é muito fácil querer, exigir, fazer questão que o outro nos enxergue. Difícil mesmo é se colocar no lugar do outro, tentar se ver de longe e analisar onde está o nosso erro. 

É muito fácil pedir, pedir, pedir. Difícil é se doar. Porque normalmente as pessoas têm a triste mania de jogar na cara. Fiz tal coisa por você. E eu por você. Daí vira aquela agressão gratuita, aquela lavagem de roupa suja, aquela coisa feia e antipática que não combina com sentimento. Mas então eu me pergunto: será que tudo combina com sentimento? Claro que não. A gente não consegue ser bom o tempo inteiro. A gente não consegue deixar de lado as mágoas e seguir em frente. Tem coisa que alfineta, cutuca, aperta. E é preciso gritar, tirar, sair desse círculo vicioso e ruim.

Não é fácil. Mas também não é tão complicado assim. Basta querer. Basta sair daquele pedestal. Basta realmente se importar com o que faz. A gente pensa que é muito bacana e que faz o melhor que pode. Que bobagem. Nem sempre lutamos com força e com fé. Às vezes, a gente só deixa a vida nos levar, como se fosse um rio que leva pedaços de árvores e lixo."

Do Blog: http://www.clarissacorrea.com/

domingo, 20 de maio de 2012

De pedir... Ou não...

"Amor não se pede, é uma pena.
É uma pena correr com pulinhos enganados de felicidade e levar uma rasteira.

É uma pena ter o coração inchado de amar sozinha, olhos inchados de amar sozinha. Um semblante altista de quem constrói sozinho sonhos.

Mas você não pode, não, eu sei que dá vontade, mas não dá pra ligar pro desgraçado e dizer: ei, tô sofrendo aqui, vamos parar com essa estupidez de não me amar e vir logo resolver meu problema?

Mas amor, minha querida, não se pede, dá raiva, eu sei. Raiva dele ter tirado o gosto do mousse de chocolate que você amava tanto. Raiva dele fazer você comer cinco mousses de chocolate seguidos pra ver se, em algum momento, o gosto volta. Raiva dele ter tirado as cores bonitas do mundo, a felicidade imensa em ver crianças sorrindo, a graça na bobeira de um cachorro querendo brincar.

Ele roubou sua leveza mas, por alguma razão, você está vazia.

Mas não dá, nem de brincadeira, pra você ligar pro cara e dizer: ei, a vida é curta pra sofrer, volta, volta, volta.

Porque amor, meu amor, não se pede, é triste, eu sei bem. É triste ver o Sol e não vê-lo se irritar porque seus olhos são claros demais, são tristes as manhãs que prometem mais um dia sem ele, são tristes as noites que cumprem a promessa. É triste respirar sem sentir aquele cheiro que invade e você não olha de lado, aquele cheiro que acalma a busca. Aquele cheiro que dá vontade de transar pro resto da vida. É triste amar tanto e tanto amor não ter proveito.

Tanto amor querendo fazer alguém feliz. Tanto amor querendo escrever uma história, mas só escrevendo este texto amargurado.

É triste saber que falta alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, esquecer,implorar. É triste lembrar como eu ria com ele. Mas amor, você sabe, amor não se pede. Amor se declara..."

segunda-feira, 30 de abril de 2012

domingo, 29 de abril de 2012


"If there's nothing, nothing, nothing left to lose
Then what is this feeling
That keeps on bringing me back to you
 
(...)
 
And if you ask me to leave
And I walked away
We'd still be alone
And we'd still be afraid"
 
 If You Don't Wanna Love Me - James Morrison

domingo, 22 de abril de 2012

De entendimentos...

"Se você estiver ocupado demais para me ligar, eu vou entender.

Se você não tiver tempo para me mandar mensagens, eu vou entender.

Se você tiver fazendo algo mais importante e não puder me ver, eu vou entender.

Se você fingir que não está nem ai pros meus sentimentos e continuar me ignorando, eu vou entender.

Se você continuar desperdiçando seu tempo de vida com coisas fúteis, eu vou entender.

Mas se eu parar de te procurar, aí é a sua vez de me entender..."

sábado, 21 de abril de 2012

De uma música...

"God only knows
why it's taken me so long to let my doubts go,

You're the only one that I want

I don't know why I'm scared,
I've been here before,
Every feeling, every word,
I've imagined it all,
You'll never know if you never try,
To forgive your past and simply be mine..."


Adele - One and Only

sábado, 14 de abril de 2012

De novas dúvidas...


Eis-me aqui...

Palavras ditas, entre suspiros, lágrimas e arrepios. Outras tantas não-ditas...

Mas, e agora?

De que será o futuro? Haverá futuro?

A doce esperança de dar tudo errado novamente, o ceticismo de crer que realmente será diferente...

O que fazer?

Não saber é somente uma pergunta, ou será também uma resposta?

segunda-feira, 9 de abril de 2012

De amar e não saber...


"Eu te amo. Mesmo negando. Mesmo deixando você ir. Mesmo não te pedindo pra ficar. Mesmo não olhando mais nos teus olhos. Mesmo não ouvindo a tua voz. Mesmo não fazendo mais parte dos teus dias. Mesmo estando longe, eu te amo. E amo mesmo. Mesmo não sabendo amar."

Caio Fernando Abreu

Mesmo sem saber se ainda deveria estar amando...

domingo, 8 de abril de 2012

De não saber...



"I don't quite know
How to say
How I feel.

Those three words
Are said too much.
They're not enough"

Chasing cars - Snow Patrol

sexta-feira, 6 de abril de 2012

De dias e noites...

Tem sido difícil.

Mais até do que eu posso suportar em alguns momentos.

E o pior de tudo é esse clima de incertezas que se instaurou quando você disse aquelas coisas boas/confusas/sem sentido...

Não saber pode ser pior do que saber algo ruim... Dar vazão à imaginação e criar expectativas que podem não corresponder à realidade...

Não saber o que fazer, ou como fazer, ou sequer se deve ser feito...

Feeling kinda blue these days...